Maravilhamento e Realidade

Há um maravilhamento que é nos é trazido de forma mais evidente por determinadas experiências e que nos abre a porta à vivência profunda daquilo que somos. É nesse ficar petrificado, sem palavras ou pensamentos, é nessa imensa suspensão extática onde por vezes somos lançados, que nos encontramos de forma totalmente nua e imprevisível com o nosso verdadeiro rosto. Aquele que na realidade está sempre presente e que corremos apavoradamente a camuflar por ser tão Real.

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Há um maravilhamento que é nos é trazido de forma mais evidente por determinadas experiências e que nos abre a porta à vivência profunda daquilo que somos. É nesse ficar petrificado, sem palavras ou pensamentos, é nessa imensa suspensão extática onde por vezes somos lançados, que nos encontramos de forma totalmente nua e imprevisível com o nosso verdadeiro rosto. Aquele que na realidade está sempre presente e que corremos apavoradamente a camuflar por ser tão Real.

E esse vislumbre de intensa liberdade não nos chega necessariamente associado a experiências belas ou tocantes. Há algo extraordinário que está sempre presente e que podemos tocar no fundo de todas as coisas, mesmo aquelas que estamos habituados a percepcionar como dilacerantes e que, por isso, nos provocam tanto medo.

Sentir esse maravilhamento que habita o fundo ou, por outras palavras, que está para lá de todas as emoções, pensamentos, sensações ou qualquer outra forma de experienciar a vida é vivenciar aquilo que é o estado fundamental de ser, por natureza pleno e perfeito. Aquele que é intocado pela intensidade ou significado das experiências.

Relembrando a experiência que Mingyur Rinpoche, um Mestre Budista tibetano, partilhou num encontro recente no que toca aos resquícios dos ataques de pânicos de que sofreu durante anos:

“Por vezes ainda sinto os sintomas do pânico a manifestarem-se no corpo. A sensação de tontura, de ansiedade e de náusea no estômago… Mas a verdade é que eu sou feliz. E as sensações físicas que surgem não transformam essa felicidade fundamental com que vivo.”

Essa felicidade fundamental que é na verdade a base do ser. Cujo reconhecimento se oferece em abundância e a todo o momento no âmago das mais variadas experiências que habitam a vasta paisagem da nossa existência.